2ª JORNADA SESC DE ESTUDOS DA POESIA
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A idéia é expor poemas e traduções de poesia toda vez que eu regar meus cactos e a zamioculgas africana.
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Marcelo, Kátia, Anico e cinegrafistaMarcadores: Poemas-Gravados
Nessa quinta, 29/10, acontece o Happy Hour Especial do CIDADE POEMA na Alameda dos Escritores do Shopping Total, das 19h às 20h.Marcadores: Poemas-Gravados
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À Maiara,
O poema Fala,
Participar de mesas de debates é ótimo, sempre se sai delas enriquecido. Na 2ª Jornada SESC de Estudos de Poesia, realizada em Bento Gonçalves de 05 a 09 Outubro de 2009, tive o privilégio de ser o mediador dos poetas Armindo Trevisan, na abertura, e Antonio Cicero (foto), no en-cerramento. Fabrício Carpinejar, Marlon de Almeida, Ricardo Silvestrin, Alexandre Brito, Ronald Augusto, Telma Scherer, Rubem Penz, Sérgio Napp, Dilan Camargo, Maria Carpi, Maria do Carmo Campos, Caio Ritter, entre outros, também fizeram parte do evento.A meu ver, vários equívocos se manifestam nessas proposições, todos devidos à aplicação rígida das classificações de Pound. Elas pressupõem, por exemplo, que Ezra Pound seja indiscutivelmente melhor do que T.S. Eliot. Por quê? Porque Pound se aproximaria mais do paradigma do inventor. Ora, 50 anos depois de Faustino ter feito esse juízo, nada indica que o valor relativo desses dois poetas venha algum dia a ser um ponto pacífico. Eu mesmo, se tivesse que escolher entre os dois, ficaria com Eliot.
Outra pressuposição inaceitável é a de que Drummond jamais estaria à altura de "um Pound" ou de "um Eliot". Como pode Faustino pensar isso? É que Drummond, segundo ele, é um mestre, não um inventor. Mas, para mim, é claro que Drummond era um inventor, um mestre e, às vezes, até um diluidor: e que era capaz de ser tudo isso num só poema. Que grande poema não é simultaneamente uma obra de mestria e de invenção? Drummond foi um dos maiores acontecimentos da poesia do século 20 e, enquanto poeta, não é em nada inferior a Pound ou a Eliot ou a quem quer que seja.
Mas o culto ao inventor é freqüentemente associado ao slogan "make it new", que pode literalmente ser traduzido por "faça-o novo" e, menos literalmente, por "faça o novo". A própria idéia da valorização da novidade não é nova; nem é nova a rejeição a essa idéia. Na Atenas clássica, Isócrates já dizia que o importante não é fazer o mais novo, mas o melhor. Mas hoje ouço ou leio freqüentemente jovens poetas, influenciados por essas idéias, falando em "buscar o novo". Evidentemente, a intenção deles não é, por exemplo, achar alguma obra de arte que acabe de ser feita (logo, que seja nova) e copiá-la. Não: o que querem é achar alguma idéia nova (no sentido de que jamais tenha sido pensada). Ora, não há como buscar uma idéia de que não se tenha idéia nenhuma, e não se pode ter idéia nenhuma de uma idéia que não exista. Não há como buscá-la: uma idéia nova aparece ou não. Por isso, Picasso dizia, com razão: "Não busco, encontro".
No fundo, o problema está na descontextualização do slogan "make it new". Recontextualizando-o, o poeta Haroldo de Campos o interpreta como uma exortação a "remastigar a herança cultural universal para "nutrir o impulso': renovar". A injunção de Pound também deve ser entendida a partir da definição que ele próprio dá da literatura como "news that stays news": novas que permanecem novas; novidades que permanecem novidades. O novo que permanece novo não é simplesmente "o novo", mas aquilo que não envelhece. "Um clássico é um clássico", afirma Pound, com toda razão, "porque possui um certo eterno e irreprimível frescor".
Já os poetas líricos gregos pensavam desse modo. Os poetas épicos haviam considerado as Musas -as deusas que inspiram os poetas- como filhas da Memória. Supõe-se, às vezes, que isso representasse o reconhecimento da importância da memória e da memorização para a poesia oral. Outra hipótese é que esse mito refletisse o fato de que os poemas épicos preservavam a memória de feitos originários da comunidade.
Os poetas líricos, porém, compreenderam que o que preservava a memória dos feitos da comunidade era a memorabilidade dos próprios poemas que cantavam tais feitos. Para eles, o feito mais memorável de todos era, portanto, o próprio poema. A memória da Guerra de Tróia era preservada, não tanto porque fosse, ela mesma, memorável, mas em virtude da memorabilidade do poema que a cantava, a "Ilíada".
Nesse sentido, as Musas eram filhas da Memória porque representavam a fonte da qualidade (divina) que tornava os poemas deles -mesmo quando não tratavam dos "grandes temas", mas apenas, por exemplo, dos seus amores- inesquecíveis, memoráveis, dotados de "eterno e irreprimível frescor". (Grifos do blogueiro)
Artigo de Antonio Cicero publicado na Folha de São Paulo em 25.08.2007.
Guardar e outros poemas de A.C.
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A partir do Çoita - grupo que em 2000 reuniu os poetas Ronald Augusto, Oliveira Silveira, José Weis, Cândido Rolim, Jorge Fróes, Haroldo Ferreira, José Antônio Silva e este blogueiro - ficamos amigos. Zé, como quase todos o chamam, é daquele tipo de escritor que produz o seu trabalho, lança os seus livros, participa de eventos e encontros, e, sem apego à excessiva badalação, vai construindo uma trajetória sólida e continua. Sem pressa ou afobamento, como deve ser.Marcadores: poeta-convidado
TEMPORAL : The Art of Stephan Doitschinoff (aka Calma) from Jonathan LeVine Gallery on Vimeo.
A escritora Jane Tutikian, professora da Univer- sidade Federal do Rio Grande do Sul e doutora em Literatura Comparada, escreveu a apresentação de Quichiligangues, meu livro de poesia lançado em 2008. Atuando na área de Literatura Portuguesa, dedica-se à obra de Fernando Pessoa e poetas portugueses e africanos. Entre mulheres (WS, 2005), livro de contos, e Fica ficando (Edelbra, 2007), novela juvenil, estão entre suas últimas publicações. Recebeu os prêmios Jabuti, Açorianos e Tibicuera.
Abre o livro o belíssimo “De como lidar com rio”. Ao resgatar essa metáfora universal da vida, o poeta faz uma fala delicada e firme a este tempo, caracterizado pelo individualismo, pela descrença nos valores simples, pela destruição inconseqüente em nome de um viver feito de paradigmas relativos. Eis seu alerta: Não é pisando em peixes/ que conseguiremos atravessá-lo ou ponte não nos dará conhecê-lo. E, sabiamente, como todo o grande poeta, Schneider não impõe verdades: semeia dúvidas, incertezas, os talvez-caminhos: Com os braços dar forma/ ao nosso sonho de asas? Ou, quem sabe, De dentro domá-lo para sempre/ com um simples remo? A temática da água volta em “Oceaníade” e “Poema de inverno”, “Elegia da cantora de ópera” e “À modelo-vivo”. Todos da mesma qualidade.
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